PJ e ONUDC promovem Curso Avançado sobre investigação de drogas na Praia

A Polícia Judiciária e o Escritório das Nações Unidas Contra a Droga e o Crime em Cabo Verde (ONUDC) promovem, de 22 à 26 de julho, na cidade da Praia, um Curso Avançado sobre investigação de drogas, destinados à investigadores seniores da Polícia Judiciária, Magistrados Judiciais e Magistrados do Ministério Público.

Durante a abertura do evento, a Diretora Nacional Adjunta da Polícia Judiciária, Jacqueline Semedo, expressou a sua satisfação, em nome da Polícia Judiciária, em receber uma formação desta “qualidade” no país e destacou o pronto apoio da cooperação internacional para com esta instituição, quando se trata do combate ao tráfico de estupefacientes em Cabo Verde.

“A Polícia Judiciária contou sempre com o apoio internacional no que concerne ao combate do tráfico de estupefacientes, tendo em conta que, dada a nossa situação geoestratégia entre a América Latina e a Europa, estamos na dita rota da cocaína, servindo como país de abastecimento de embarcações com destino à Europa ou a América Latina e figurando como local de armazenamento de drogas com o mesmo destino”, começou por dizer.

Mas, acrescenta, “se é certo que somos considerados como país de passagem de drogas com destino à Europa – nessa luta contra o tráfico internacional de drogas e o crime organizado não estamos sozinhos, contamos com vários países como parceiros, até porque é uma luta global e os países considerados como destino final da droga que passa por Cabo Verde, estarão a combater ou impedir que grandes quantidades de drogas cheguem ao seu mercado interno –, não é menos verdade que temos uma outra luta, esta, a do combate ao tráfico interno, a que chega para abastecer o nosso mercado interno, em que as apreensões, embora possam parecer insignificantes aos olhos dos outros países, para nós são passos gigantescos na luta contra o tráfico interno, que inflaciona os crimes de lavagem de capitais, furto, roubo, às ofensas à integridades física, os homicídios, etc”.

Por sua vez, a Coordenadora Sénior do ONUDC em Cabo Verde, Cristina Andrade, realçou o objetivo do Curso de “poder melhorar as competências dos magistrados e dos polícias, em termos de investigação de drogas”.

Ainda segundo aquela responsável, os dados mundiais lançados recentemente sobre drogas mostram que “275 milhões de pessoas, aproximadamente, 5.6 % da população global, entre os 15 e 64 anos consumiram drogas, pelo menos uma vez, durante o ano de 2016, cerca de 35 milhões de consumidores sofrem de distúrbios associados ao uso de drogas, ao ponto de necessitarem de tratamento médico e o ONUDC estima que cerca de 450 mil pessoas perderam a vida em 2015, por causa desse flagelo”.

A estimativa da fabricação ilícita da cocaína, diz Cristina Andrade, alcançou um record jamais visto, “1, 976 toneladas, em 2017, um aumento de 25 % em relação ao ano anterior”. Ao mesmo tempo, afirma, a “quantidade global de cocaína apreendida em 2017, aumentou 13%, para 1, 275 toneladas, a maior quantidade registada”.

Por isso, garante a Coordenadora Sénior do ONUDC, as Nações Unidas em Cabo Verde, nomeadamente o ONUDC têm trabalhado “lado a lado” com o governo, para permitir levar a cabo ações que permitam uma abordagem intersectorial porque, só trabalhando de uma forma equilibrado saúde, justiça e segurança é possível resolver essa situação.

A Encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Amanda Porter, por seu turno, realçou a “extrema importância” do desempenho dos formandos na identificação e investigação de crimes relacionados com as drogas, também fundamental para obtenção de uma condenação.

Financiado por governo dos Estados Unidos da América no quadro do programa Crimjust, que visa fortalecer a investigação criminal e a cooperação em justiça criminal ao longo da rota da cocaína, pretende-se com o curso, reforçar a capacidade dos oficiais e agentes da aplicação da lei para lidarem com o tráfico ilícito de drogas em Cabo Verde e na África Ocidental.

Ministrado por formadores da Agência de Fiscalização de Drogas Americana (DEA), o curso conta, ainda, com a participação de investigadores seniores da Guiné Bissau.